Resident Evil de Zach Cregger conquista a crítica, mas divide fãs dos jogos
O novo Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, conquistou 96% no Rotten Tomatoes, mas a ausência de personagens como Leon e a história original geram debate entre fãs.
Clayton Vasconcelos
9/28/20266 min read


O novo Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, chegou aos cinemas cercado por expectativas e rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados entre os fãs de games e filmes de terror. O longa alcançou 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, além de registrar 91% entre o público verificado na consulta atual da plataforma.
Ao mesmo tempo em que a crítica destacou a atmosfera de terror, o humor e a maneira como o filme reproduz a sensação de jogar um game de horror, parte dos fãs questiona justamente a decisão de Cregger de não adaptar diretamente uma das histórias conhecidas da franquia.
O resultado é uma discussão interessante: o novo Resident Evil tenta reproduzir a experiência de jogar a série, em vez de simplesmente transformar um dos jogos em filme.
Um Resident Evil diferente dos filmes anteriores
O longa de 2026 funciona como uma nova abordagem cinematográfica para a franquia. Segundo a Sony Pictures, a história é completamente nova e acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, um entregador de suprimentos médicos que acaba envolvido em uma noite de caos e luta pela sobrevivência.
A proposta também representa uma mudança importante em relação aos filmes anteriores.
Em vez de colocar personagens conhecidos dos jogos no centro da narrativa, o filme acompanha alguém comum que é jogado repentinamente em uma situação de horror.
Essa escolha foi explicada pelo próprio Cregger durante uma entrevista publicada no PlayStation Blog. O diretor afirmou que Bryan funciona como uma espécie de representação de um jogador comum colocado dentro do universo de Resident Evil, sem treinamento especial para enfrentar as ameaças.
Por que o filme recebeu 96% no Rotten Tomatoes?
A recepção da crítica foi um dos grandes destaques do lançamento.
Na consulta atual, o Resident Evil de 2026 registra 96% no Tomatometer, baseado em centenas de avaliações, enquanto o Popcornmeter aparece com 91% entre espectadores verificados.
O consenso publicado pelo Rotten Tomatoes destaca principalmente a combinação de terror, ação e humor, além da maneira como o filme reproduz a sensação de estar jogando um verdadeiro survival horror.
A produção também conquistou o selo Certified Fresh, tornando-se o primeiro filme live-action da franquia a alcançar essa certificação no Rotten Tomatoes.
Esse desempenho chama atenção porque as adaptações anteriores tiveram uma recepção crítica consideravelmente mais irregular.
O filme não conta a história de Leon
É justamente aqui que começa boa parte da discussão entre os fãs.
Leon S. Kennedy não é o protagonista do novo filme. A produção optou por acompanhar Bryan, um personagem criado especificamente para essa história.
O diretor já reconheceu que sabia que parte do público esperava uma adaptação envolvendo personagens tradicionais. Em entrevista, Cregger comentou que percebeu a expectativa de fãs que aguardavam uma história centrada em Leon e afirmou que essa não era a narrativa que ele estava levando para o cinema.
A escolha não significa necessariamente que o filme tenha abandonado a identidade de Resident Evil.
Na visão apresentada pelo diretor, a intenção era capturar a sensação de jogar Resident Evil, especialmente o medo, a falta de preparo, a exploração e a sobrevivência diante de situações inesperadas.
A crítica gostou, mas parte dos fãs questiona a adaptação
A diferença entre a recepção da crítica e algumas reações da comunidade se tornou um dos principais pontos de discussão em torno do filme.
Enquanto críticos elogiaram a abordagem de Cregger, algumas comunidades de fãs questionaram a ausência de personagens tradicionais e a distância em relação às histórias conhecidas dos jogos.
Reportagens publicadas durante o lançamento destacaram justamente esse contraste: o filme recebeu uma forte resposta crítica, mas algumas escolhas criativas provocaram resistência entre jogadores que esperavam uma adaptação mais próxima dos games.
É importante separar as duas discussões.
Uma pessoa pode avaliar positivamente o filme como uma produção de terror e, ao mesmo tempo, considerar que ele não entrega a adaptação de Resident Evil que esperava.
Da mesma forma, outro espectador pode gostar da liberdade criativa justamente porque o filme não tenta reproduzir uma campanha específica dos jogos.
O objetivo foi reproduzir a sensação de jogar
Essa talvez seja a característica mais importante para entender a proposta de Resident Evil 2026.
Em vez de transformar uma campanha conhecida em roteiro cinematográfico, Cregger procurou transportar para o cinema algumas das sensações associadas aos jogos.
A própria divulgação oficial descreve o filme como uma “reinvenção” da franquia, enquanto o PlayStation Blog apresenta a produção como uma história original dentro do universo de Resident Evil.
Isso ajuda a explicar a escolha de Bryan.
Nos jogos, personagens como Leon possuem treinamento, experiência e conhecimento sobre situações envolvendo armas biológicas. Bryan começa em uma posição completamente diferente.
Ele não sabe exatamente o que está acontecendo e precisa reagir aos acontecimentos conforme eles surgem.
Essa perspectiva permite que o espectador acompanhe o horror de maneira mais próxima de alguém descobrindo uma situação de sobrevivência pela primeira vez.
Resident Evil também aposta no humor
Outro elemento destacado nas avaliações é a mistura entre horror e humor.
O Rotten Tomatoes aponta especificamente o desempenho de Austin Abrams e seu timing cômico como um dos elementos que ajudam a equilibrar a experiência.
Essa combinação também conversa com uma característica histórica da franquia.
Resident Evil nunca ficou limitado a um único tom. A série passou por diferentes fases, indo do survival horror mais contido dos primeiros jogos até experiências com mais ação, personagens exagerados e situações de escala cada vez maior.
O novo filme utiliza essa variedade como parte de sua identidade.
Um novo começo para Resident Evil no cinema
O lançamento também acontece em um momento especial para a franquia nos videogames.
2026 marca os 30 anos de Resident Evil, série criada pela Capcom que ajudou a popularizar o gênero survival horror. A própria PlayStation destaca o aniversário e a influência da franquia na história dos jogos de terror.
No cinema, o novo filme funciona como uma nova tentativa de aproximar a experiência cinematográfica daquilo que tornou os jogos tão conhecidos.
A diferença é que, dessa vez, a produção não tenta simplesmente colocar Leon, Jill, Chris ou outro personagem conhecido no centro da história.
A proposta é começar com alguém desconhecido e colocá-lo diante do mesmo tipo de pesadelo que os jogadores enfrentam.
O novo Resident Evil é fiel aos jogos?
A resposta depende do que se entende por “fidelidade”.
Se a comparação for feita pela história, protagonistas e acontecimentos específicos dos jogos, o filme segue um caminho bastante diferente.
Já quando a comparação considera atmosfera, sobrevivência, criaturas, tensão, exploração e a sensação de vulnerabilidade, a proposta se aproxima mais da experiência dos games. O próprio Cregger explicou que queria pensar em como um jogador comum reagiria ao ser colocado naquele cenário.
Essa diferença é fundamental para entender por que o filme consegue receber uma recepção crítica tão positiva e, simultaneamente, provocar discussões entre parte da comunidade.
Vale a pena assistir ao novo Resident Evil?
Para quem procura uma adaptação que reproduza exatamente a história de Resident Evil 2, com Leon e os acontecimentos tradicionais de Raccoon City, o filme pode apresentar diferenças significativas em relação às expectativas.
Para quem está interessado em uma nova história de terror ambientada no universo da franquia, a produção oferece outra perspectiva.
O filme tem 1h34 de duração, classificação R nos Estados Unidos por violência gráfica, sangue, gore e linguagem, e chegou aos cinemas em setembro de 2026.
A recepção registrada até agora mostra justamente essa divisão de expectativas: a crítica recebeu a produção de maneira muito positiva, enquanto parte dos fãs debate o quanto uma adaptação de Resident Evil precisa reproduzir personagens e histórias conhecidas para ser considerada fiel à franquia.
O que esperar do futuro de Resident Evil no cinema?
O desempenho do novo filme pode influenciar o caminho das próximas adaptações, mas ainda é cedo para afirmar qual direção a franquia seguirá no cinema.
Por enquanto, a produção de Zach Cregger demonstra que existe espaço para uma abordagem diferente: uma história original que utiliza os elementos de Resident Evil para criar uma experiência cinematográfica própria.
Para os jogadores, a principal questão continuará sendo até que ponto futuras produções devem adaptar diretamente os jogos ou experimentar novas histórias dentro desse universo.
No caso do filme de 2026, a resposta foi clara: em vez de contar novamente uma história que os jogadores já conhecem, Zach Cregger decidiu mostrar como seria cair dentro de um pesadelo de Resident Evil sem estar preparado para isso.
