Hideo Kojima elogia Resident Evil e destaca experiência dos jogos
Hideo Kojima elogiou o novo filme Resident Evil, de Zach Cregger, e afirmou que a produção captura a tensão e a experiência de jogar a franquia da Capcom.
Isac Martins
10/14/20264 min read


Criador de Death Stranding e Metal Gear Solid destacou o terror, os sustos e a forma como o filme de Zach Cregger reproduz as sensações de quem joga a franquia da Capcom.
O novo filme de Resident Evil chamou a atenção de Hideo Kojima, um dos nomes mais conhecidos da indústria dos videogames. Em uma publicação nas redes sociais, o criador de Metal Gear Solid e Death Stranding comentou a produção dirigida por Zach Cregger e destacou um aspecto que considera essencial: a capacidade de transmitir a sensação de estar jogando um título da franquia.
A opinião chama a atenção porque o longa não tenta reproduzir diretamente a história de um jogo específico. Em vez disso, apresenta uma trama original dentro do universo de Resident Evil, colocando o público ao lado de um protagonista que precisa sobreviver a situações cada vez mais perigosas.
Kojima afirmou que a produção utiliza recursos clássicos do cinema de terror, com momentos assustadores, situações de tensão e sustos repentinos que se mantêm ao longo da narrativa. Para ele, a experiência vai além de simplesmente adaptar os videogames para as telonas.
O que Hideo Kojima disse sobre o novo Resident Evil?
Kojima contou que, inicialmente, não estava particularmente interessado em assistir ao filme. A participação de Zach Cregger na direção, entretanto, despertou sua curiosidade.
Depois de conferir a produção, o desenvolvedor publicou suas impressões e elogiou a maneira como o longa constrói o suspense. Ele também comparou a música da abertura a elementos sonoros do clássico de terror A Coisa, destacando a sequência de situações assustadoras que acompanha a história.
O comentário mais marcante foi a interpretação de que o filme não é simplesmente uma adaptação de Resident Evil, mas uma obra sobre a experiência de jogar a franquia com um controle nas mãos.
A declaração resume a proposta do diretor: transportar para o cinema sensações familiares aos jogadores, como o medo de avançar por um corredor desconhecido, a expectativa de encontrar um inimigo e a tensão provocada por recursos limitados.
Filme fez Kojima lembrar do Resident Evil original de 1996
Além de comentar o filme, Kojima relembrou sua experiência com o primeiro Resident Evil, lançado para o PlayStation em 1996.
O desenvolvedor contou que se identificou com Bryan, protagonista do longa, especialmente pelas dificuldades enfrentadas durante a jornada. Ele recordou, de maneira bem-humorada, as repetidas telas de Game Over que experimentou ao jogar o título original.
Essa lembrança ajuda a entender o que chamou sua atenção na adaptação. Em muitos jogos de terror, o jogador não controla um herói invencível. Ele precisa improvisar, avaliar os perigos, administrar recursos e lidar com situações para as quais nem sempre está preparado.
Ao acompanhar um personagem nessa condição, o espectador pode reconhecer emoções que normalmente fazem parte da experiência de jogar Resident Evil.
Por que o filme não adapta diretamente a história dos jogos?
A decisão de criar uma narrativa original foi uma das escolhas centrais de Zach Cregger. Em entrevistas anteriores, o diretor explicou que queria preservar a essência dos jogos sem simplesmente repetir histórias já conhecidas pelos fãs.
A trama acompanha Bryan, um entregador de suprimentos médicos que se vê envolvido em uma situação de horror durante um surto em Raccoon City.
Em vez de colocar personagens tradicionais, como Leon S. Kennedy, no centro da história, o filme apresenta um protagonista que precisa descobrir como sobreviver ao caos. A escolha permite explorar o universo da franquia a partir de uma perspectiva diferente.
A estrutura também facilita a reprodução de elementos característicos dos jogos: exploração de ambientes, progressão por áreas perigosas, escassez de recursos e aumento gradual da ameaça.
Isso não significa que todos os fãs concordarão com a abordagem. Parte do público prefere adaptações mais próximas dos personagens e acontecimentos dos videogames. A proposta de Cregger segue outro caminho, priorizando a sensação de jogar em vez de recontar uma história já conhecida.
O terror clássico é uma das principais apostas da produção
Na avaliação de Kojima, o longa aposta em recursos tradicionais do gênero, incluindo trilha sonora inquietante, situações de perigo e sustos repentinos.
Esses elementos têm relação direta com a identidade de Resident Evil, especialmente com os jogos que exploram ambientes fechados, iluminação limitada e a expectativa de que algo possa aparecer a qualquer momento.
A tensão não depende apenas da presença de monstros. O desconhecimento do ambiente, a vulnerabilidade do protagonista e a possibilidade de um confronto inesperado também contribuem para a experiência.
Ao transportar esses recursos para o cinema, a produção procura fazer com que o público sinta parte da incerteza que acompanha o jogador durante uma partida.
O novo Resident Evil respeita a essência da franquia?
A declaração de Kojima reforça uma discussão antiga sobre adaptações de videogames: ser fiel não significa necessariamente reproduzir cada acontecimento da obra original.
Uma adaptação pode preservar personagens, cenários e acontecimentos conhecidos. Outra pode utilizar o mesmo universo para construir uma história diferente, desde que mantenha elementos que tornaram a franquia reconhecível.
No caso do filme de Zach Cregger, a proposta é trabalhar com a tensão, a vulnerabilidade e a progressão de perigos que caracterizam o survival horror.
A recepção do público, entretanto, continua sendo uma questão à parte. A opinião positiva de Kojima é relevante por sua experiência como criador de jogos, mas não representa automaticamente o consenso de todos os fãs.
O que esperar do filme Resident Evil?
A produção aposta em uma combinação de terror, ação e uma história original ambientada no universo da Capcom. A escolha de acompanhar um protagonista diferente dos personagens clássicos abre espaço para explorar novas situações sem abandonar completamente a identidade da franquia.
A reação de Kojima destaca justamente essa abordagem. Para ele, o filme consegue recuperar emoções associadas à experiência de jogar o título original, lançado há três décadas.
Para os fãs, o longa oferece uma oportunidade de avaliar outra forma de adaptar o survival horror para o cinema. Em vez de apenas reproduzir acontecimentos conhecidos, a produção procura colocar o espectador diante de situações que lembram os desafios enfrentados durante uma partida.
